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Guias de turismo no AM alertam para atividade ilegal e riscos para visitantes

Teatro Amazonas é um dos principais pontos turísticos de Manaus (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)
Sindicato cita assaltos, roubos além de favorecimento à prostituição.
Informalidade do setor no Amazonas é grande, dizem profissionais.
Do G1 AM
O Sindicato Estadual dos Guias de Turismo do Amazonas (Sindegtur) alerta turistas que desembarcaram em Manaus na Olimpíada para cautela ao procurar guias de turismo na capital. Vislumbrando o período do torneio, pessoas sem formação profissional oferecem serviços mais baratos como atrativo. Entretanto, a atividade ilegal tem colocado visitantes em risco e gerado problemas para o turismo amazonense, de acordo com o sindicato.
Responsáveis por acompanhar e orientar visitantes em pontos turísticos, os guias apresentam a cultura amazonense aos visitantes e facilitam processos como despachos e liberação de passageiros em terminais de embarque e desembarque. Além disso, eles têm acesso gratuito a museus, galerias de arte, feiras, entre outros locais. O que garante a legalidade da atividade é o credencial de Guia de Turismo, registrado no Ministério do Turismo.
De acordo com o Sindegtur, a informalidade do setor no Amazonas ainda é grande e tem preocupado profissionais do ramo com o aumento do fluxo de turistas para os jogos olímpicos em Manaus. O maior atrativo utilizado por guias clandestinos é o preço, que chega a ser 80% mais barato que os serviços legais. Contudo, o barato pode sair caro.
Quem faz o alerta é a presidente do Sindegtur, Rocilda Oliveira. Segundo ela, guias clandestinos costumam oferecer serviços direto ao turista, como passeios turísticos.
"O turista fica olhando os banners e acaba seduzido pelo rapaz que o leva para conhecer locais e passam informações erradas sobre a história do ponto turístico", disse.
Entretanto, este não é o maior risco. Oliveira destaca que o Sindegtur já recebeu diversas denúncias de roubos, além da facilitação para compra de drogas e prostituição infantil. Em alguns casos, guias ilegais foram apontados como mediadores das atividades.
"Uma criança foi abusada e relatou à polícia que foi um turista levado por um guia. Ligaram para o sindicato e perguntaram se trabalhava alguém com o nome apontado pela vítima. Não, não trabalhava. Não conseguimos saber quem era o guia. A menina foi assediada com a conversa de que seria levada para a Disneylândia", relatou.
Fiscalização
De acordo com a presidente do Sindicato de Guias de Turismo do estado, a falta de fiscalização favorece a informalidade no setor. Além da exposição a riscos de segurança para turistas, a atividade ilegal enfraquece o ramo turístico no Amazonas.
Guias de turismo legalizados acabam perdendo espaço no mercado para pessoas não capacitadas e que não pagam impostos para exercer a profissão. Segundo o guia Peter Hagnauer, a prática só irá diminuir com fiscalizações, o que, segundo ele, é raro no Amazonas.
"Alguém sem qualificação procura enriquecimento e isso pode ocorrer de qualquer maneira, inclusive oferecendo práticas ilícitas, mas é complexo e ajuda a deteriorar o turismo no estado", criticou Hagnauer.
O G1 tentou por duas semanas contato junto à Empresa Estadual de Turismo do Estado do Amazonas (AmazonasTur) para comentar as reclamações acerca da falta de fiscalização, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Atualmente, o sindicato estima que Manaus tenha, pelo menos, 350 guias cadastros no Ministério do Turismo. Para identificar um guia de turismo ilegal, basta checar se ele possui crachá registrado no Ministério do Turismo e dentro do prazo de validade.

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