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Por que viajar sozinho não é para qualquer um

Existe uma enormidade de artigos circulando na internet sobre o poder de viajar sozinho e por que isso deveria estar na lista de coisas para fazer antes de morrer. Está na moda embarcar numa aventura apenas com a própria companhia.
Entendo perfeitamente por que muitas pessoas se encantem com a ideia, mas acho que ela não é para todo mundo.
Para uma pessoa introvertida como eu, viajar sozinha não foi a autodescoberta que eu estava imaginando. Vi boa parte do mundo, mas nunca sozinha. Recentemente estava pronta para sair da minha zona de conforto e fazer essa experiência.
Mas no fim das contas achei muito solitário e paradoxalmente dependente de Wi-Fi.
A verdade é que sou tímida. Sou reservada até que se abram comigo; a partir da aí confio em você como se te conhecesse desde sempre. Antes disso, fico num canto e rezo pra não me enxergarem.
Ironicamente, sou uma pessoa confiante no geral. Confio na minha capacidade de navegar a vida com as habilidades que desenvolvi e um coração de ouro que criei com carinho. Me arrisquei, me afirmei e atingi objetivos que não achava possíveis.
Mas o resumo é: prefiro ver o mundo acompanhada. Eis algumas razões:
Não vejo graça em comer sozinha. Não importa o que faça, não consigo deixar de imaginar que as pessoas à minha volta estejam se perguntando por que não tenho amigos. Eu tenho, juro! É que estou nesse lance de autodescoberta, sabe...
Não dá para verdadeiramente compartilhar uma experiência. Se como algo realmente delicioso, posso mandar uma foto, mas não tem como meu amigo vivenciar aquele momento comigo. Como você descreve de maneira fiel os melhores tacos do mundo via Snapchat?
Provavelmente perco fotos épicas. Fotos da paisagem uma hora cansam, e a menos que uma pessoa se ofereça para tirar uma foto minha sempre evito a ansiedade que esse tipo de pedido me causa.
Meu celular morre muito mais cedo. Eu sou aquela que mantém todas as conversas em grupo vivas e não paro de checar o que o resto do mundo está fazendo nas redes sociais quando me canso de ser turista.
Faço amigos rápido, mas... Quando alguém normal me aborda quando estou sozinha sou imediatamente a melhor amiga dessa pessoa; pode parecer meio forçado ou invasivo, mas é só falta de contato humano.
Faço amigos rápido, mas... Quando alguém não muito normal me aproxima tento evitar fazer contato visual, ou falar outra língua, e me afasto rápido, sem pensar em quem interpretaria meu personagem no próximo Busca Implacável.
Ir a um bar sozinha é basicamente o inferno para um introvertido. Sorrir ou não sorrir? Interromper conversas ou só ficar parada esperando para intervir com um comentário inteligente... ou só ficar parada em silêncio, porque a essa altura tenho mais medo de me mexer do que de falar?
O banheiro é um refúgio perfeito. Finalmente estou sozinha, com tempo para respirar. Posso mandar mensagens de texto e contar pra todos os meus amigos que não sou #esquisita.
Dançar com amigos é melhor que dançar sozinho. Assim como beber com amigos e contar histórias com a família.
É claro que ver os lugares incríveis do mundo por si só já é demais. Mas prefiro dividir a empolgação do momento com alguém próximo. Acredito que se perder de propósito possa ser divertido, mas também aterrorizante se você estiver sozinho - pelo menos para um introvertido.
Pessoalmente, acho que as experiências são simplesmente melhores se você puder dividi-las com alguém, as memórias duram mais se você puder se lembrar delas com a ajuda de alguém, e a vida é mais rica quando você a preenche com momento e as pessoas que os criaram.
A coisa mais importante que aprendi é: tudo bem.
Tudo bem se eu quiser ter companhia. Tudo bem se preferir viver no momento com amigos ou familiares para poder falar a respeito durante anos no futuro. Tudo bem que eu não goste de estar fora da minha zona de conforto, porque pelo menos tentei.
Quero ser espontânea e louca e inconsequente e livre... mas se tiver mais alguém, melhor.
Isso não me faz diferente, nem é mau. Quero que as pessoas especiais da minha vida vejam o mundo comigo, em vez de pelas telas dos seus celulares.
Sou introvertida, e tudo bem, porque tenho muitas outras características maravilhosas. Talvez um dia mude de ideia, mas hoje o fato é que viajar sozinha não é pra mim.
Algum dia minha autodescoberta vai ser algo só pra mim, não pras massas. Às vezes, você não vai se lembrar do destino tanto quanto se lembra do que aconteceu lá.
Gostaria de ver o mundo, mas acho que seria melhor se você estivesse comigo.


Autor / Fonte:
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